Em agosto, o SBT completa 45 anos. Como o canal vai chegar lá, ninguém sabe. No momento, não há resoluções sobre a programação. A grande expectativa gira em torno da Copa do Mundo, entre junho e julho. O antes e o depois estão em suspenso, no aguardo das definições de Daniela Beyruti, filha número 3 de Silvio Santos (1930 – 2024), diretora executiva e presidente do canal.
Daniela é bem-intencionada, garantem funcionários da casa. Até agora, porém, não disse a que veio. Cercada de consultores, nem sempre hábeis em apontar soluções para os inúmeros problemas, ela transita entre as tentativas de emular projetos bem-sucedidos na concorrência ou nas redes sociais e o passado de glórias, já distante.
Foi assim em 2024, quando a reformulação da grade trouxe o Chega Mais, baseado nos primórdios do Hoje em Dia, da Record, e o Tá na Hora, noticiário de fim de tarde com pautas tão sanguinolentas quanto as dos similares Cidade Alerta, também da Record, e Brasil Urgente, da Band. O público não trocou os originais pelas cópias. A baixa audiência rendeu mudanças de títulos, apresentadores e apostas como o dorama Meu Amor das Estrelas. Nada surtiu efeito.
No fim do ano passado, livre do Bom Dia & Cia, formato infantil completamente desconectado das crianças de hoje, a grade acabou fixada no que está agora. Os índices seguem baixíssimos. E não há, no momento, qualquer evidência de que algo será feito para reverter tal situação nos próximos meses.
O noticiário televisivo informa que entre os planos de Daniela Beyruti para 2026 estão uma nova revista para as manhãs e um esportivo diário, nos moldes do Jogo Aberto, da Band – a concorrente direta possui tradição no segmento esportivo, diferente do SBT. Ainda, a insistência em um jornalístico para abrir o horário nobre. Ou seja: nada de realmente novo, em relação ao que foi apresentado nos últimos tempos ou como projeto autoral, que não remeta ao que se vê em outras tantas emissoras.
SBT entre o que já foi e o que espera ser
A incapacidade de seguir em frente está relacionada também ao apego ao passado. A atração de Patricia Abravanel ainda atende por Programa Silvio Santos e entra no ar, todo domingo, ao som de “Silvio Santos Vem Aí” . A homenagem a Silvio ofusca até mesmo a figura e o bom desempenho de Patricia, hoje o principal rosto do canal. E soa jocosa quando o boneco Silvinho surge de corneta, celebrando a vice-liderança, em momentos nada oportunos…
Não há de errado em reverenciar o criador do SBT. Ou revisitar formatos, como o Viva a Noite, exaltado neste mesmo espaço pela formatação e pelo ativo nostálgico. O grande problema é que a emissora vive hoje no limbo entre o que já foi e o que espera ser, mirando o que está na concorrência.
Fora surpresas de última hora, o SBT caminha para um aniversário sem festa. Há tempo para estruturar a grade, mas é preciso, antes de tudo, avaliar, calcular e agir. Daniela Beyruti precisa colocar mais do que suas boas intenções a serviço da casa.

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